terça-feira, 13 de maio de 2008

Trapo


"Educação ou medo? Qualquer luta é brutal, primitiva, estúpida. O mundo estaria salvo se todos fossem delicados no trato, gentis na conversa, predispostos ao acerto - vivo num universo imaginário."


"Detesto falar a sério na cozinha. Cozinha é lugar de conversa fiada."


"Que diabos tenho a ver com Trapo? Que diabos tenho eu a ver com qualquer coisa que não seja eu mesmo?"


" - Você, Izolda, por exemplo: se mataria?
- Nunca! Prefiro morrer a me matar!"

"O fichário mental recomeçou o trabalho, juntando cacos, na tarefa difícil de dar realidade à vida (e à morte) de Trapo. Imediatamente o computador despacha o tipo provável de namorada: baixinha, magra, cabelos desalinhados, calça de brim, rosto sem pintura, chicletes permanentemente na boca, sem postura, gíria, palavrões, amigos avulsos, espinhas, filmes de arte que não entende, carona de motocicleta. Rosana. Sinto um profundo desprezo pela juventude. Jovens estúpidos, macacos de vitrine, analfabetos. Suicidas. Fico satisfeito, o computador faz sentido."


"Izolda tem razão: falta vida na minha vida."

2 comentários:

mcruz disse...

Prefiro essas frases, hahahaha:

A psicologia da minha visitante é uma pintura medieval, sem perspectiva.

Comprei uma arma - uma belíssima Magnum com silenciador (a mesma do cobrador do Rubem Fonseca, sou exigente).

A literatura é uma arma, e, do mesmo modo que o revólver, mata, assalta, corrompe e faz justiça com as próprias mãos.

Ah diabólica noite de Curitiba! Pesada cerração e um frio de ossos, de cemitério, de cidade morta, de sombrio esquecimento. Ah amontoado de ódios, de bílis, de rancores e frustrações neste alinhamento de prédios, casas, quintais, guardas.árvores secas, caminhos de expressos, lúgubres postes de luz mortiça, prostitutas roxas de minissaias, travestis de narizes grandes e joelhos ossudos, motoristas de táxis sonolentos em seus casulos alaranjados.Aqui está a praça do homem nu, este mastodonte morto com a cabeça envolta em névoa, ao lado do grupo tiradentes, o seu pátio de cimento cheio de crianças azuis e professoras imbecis, ali o passeio público e sua última floresta, os últimos animais, o rio verde, carpas e pedalins, toda a natureza e a alegria de viver preservadas em matéria plástica para o lazer triste a angustiado dos nativos, e aqui sobe a joão gualberto, com suas quatro pistas, semáforos, fileiras amarelas de luzes a mercúrio, um espetáculo marciano de rara beleza.

não há nada mais confortável que a solidão.

Como não há mais nenhum discípulo de Homero e a Grécia virou uma bosta, como os clássicos da renascença eram muito posudos, como os barrocos faziam piruetas, como os árcades só cuidavam de ovelhas, como os românticos morreram todos tuberculosos, como os parnasianos eram a última raspa do tacho da
boçalidade acadêmica, como os simbolistas compensavam a falta de assunto com Iniciais Maiúsculas, como os modernistas envelheceram, como os concretistas, práxis, poetas-processo e suas cinco milhões de dissidências cooptaram todos pelas agências de publicidade: Estamos livres!! Hip! Hip! Hurra!

O poema não é um produto como outro qualquer
e não está à venda
como o sabonete de eucalipto, as pílulas de engov,
o volkswagen do ano.
Eu quero que a civilização se foda.

Uma conclusão filosófica: em curitiba, minha doce curitiba, todos querem falar e todos se arrependem de falar.

grande trapo, o "maior" poeta que curitiba já "conheceu", hehehe, até mais.

DIARIOS IONAH disse...

ainda bem que ele mesmo falou que
se importa apenas com si mesmo.
eu tambem!