terça-feira, 29 de julho de 2008

Conto um conto



Não lembro como Trista apareceu, nem como se tornou tão indispensável para mim. Pode parecer estupidez de minha parte falar de Trista como se essa não passasse de um simplório objeto, mas tenham certeza, ela era bem mais que isso.
Trista surgiu do nada e eu nem quis saber de onde, o que importava para mim era que ela não fosse embora. Nunca mais. Mas não foi bem assim que nossa história terminou. Mas vou lhes contar do começo.
Lembro do primeiro dia que vi Trista, num sarau em minha casa. Ela era pálida, muda, estranha... Não fosse isso ela seria menos notada ainda. Percebi logo sua timidez, era berrante. Quis a todo custo deixá-la por dentro das conversações, mas Trista se mantinha naquele estado apático. O que fora fazer ali então?
Dei de ombros. A minha curiosidade sobre Trista era tão grande que essas coisas bizarras eu deixava de lado.
Trista se tornou uma figura constante em meu círculo de amizade. Eu sentia um asco gigante por todos que não percebiam Trista. Como era possível uma figura daquelas não ser notada? E por que ninguém chamava Trista para conversar? E por que não havia nenhum ser incoveniente para insultar sua timidez visível? E quanto mais esses questionamentos brotavam em minha mente, mais eu me interessava em Trista. Eu queria saber tudo sobre ela, questionava, questionava, questionava...e quanto mais de ombros ela dava, como se não pudesse emitir um som, mais curiosa eu ficava.
Trista me acompanhava em todos os lugares, inclusive no shopping. Era lindo o modo com que Trista deslizava pelo chão, sem esbarrar em ninguém, ainda mais naquela multidão afoita pelo consumo exacerbado. Parecia que eu caminhava sozinha e quando olhava para o lado, lá estava Trista. Pálida, muda, estranha...apática.
Quando eu pedia opinião sobre algo a resposta era prevísivel: um dar de ombros exasperado. Conclui que Trista podia falar e não falava pois não havia necessidade, para que esboçar som quando não se tem uma opinião formada que seja válida? Trista estava certa. O silêncio dela não era timidez, era sabedoria. Mas conclui também que Trista era grosseira demais para dizer se um livro prestava ou não e ao mesmo tempo, educada para dar sua opinião. Perante essa dúvida: o silêncio tristal.
Apesar desse nome sugestivo, Trista não era nem um pouco triste. Eu gostava daquele sorriso pálido e débil, era tão sincero. E sua companhia era muito mais prazerosa. Ao menos Trista não me enchia com Filosofia vã e barata, nem com teses estúpidas sobre a vida, o amor, o dinheiro ou coisa que valha, como todas as outras pessoas que eu conhecia faziam.
Poderia ficar o dia inteiro escrevendo textos sobre Trista sem cansar, mas não quero cansar o leitor com minha divagações e observações sobre alguém que jamais verão.
Um dia Trista falou. Disse-me que eu precisava saber de algo... Fiquei aflita. O que seria? A voz de Trista era tão melodiosa, era uma pena que ela se limitasse a dizer o necessário, o que a tornava muda em maior parte do tempo. Então decidiu me dizer o que tanto me tinha perturbado, pois sabemos como é a curiosidade feminina: um bicho feroz. Afinal, não existia mistério em Trista.
Era uma quinta-feira cinzenta, eu ainda me encontrava de pijamas quando Trista bateu a porta com aquela sua cara pálida, estranha. Ela olhou para mim com tanta ternura que me senti constrangida, mas não durou muito esse silêncio seguido de constrangimento, definitivamente o mistério não fazia parte de Trista, então tudo que ouvi dela foi:
- Eu não existo. Sou apenas uma extenção de você.
Deu o sorriso mais pálido e acanhado que já vi. Coçou a testa, virou as costas e foi-se embora, sem ao menos olhar para trás.
E lá estava eu, de pé na porta, com aqueles trajes, sentindo frio e tremendo de angústia. Me peguei assim, como Trista, pálida, muda...

4 comentários:

Yasmin disse...

Poxa, sua safada! Vc escreve tão bem, sua crônica me envolveu facilmente....eu cheguei a pensar que vc estava apaixonada! huauahhuaa

fatimapombophotos disse...

menina isso eh que eh escrever!
eh por isso que eu so uso fotografias nos meus blogs.!!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Oi sobre o "Pimenta nos olhos alheio... " sei lah cara eu axo q vc tah é com ciume de sua amiga axo q vc keria q seu ex fikasse atrás de vc ao invés de ter uma amizade com sua amiga, axei exagero na parte qdo vc disse q eles viraram amigos de infancia afinal amigos de infancia o nome jah diz neh... enfim, axo q vc deve esfriar a sua cabeça e deixar a maturidade reinar sobre... vc parece ser uma boa pessoa q dá amizade aos amigos não jogue fora uma amizade de 10 ano cm vc mesma disse por causa de um ciuminho bobo de um carinha q nem vale a pena... bjão pra vc fik na paz!

Anônimo disse...

Oi sobre o "Pimenta nos olhos alheio... " sei lah cara eu axo q vc tah é com ciume de sua amiga axo q vc keria q seu ex fikasse atrás de vc ao invés de ter uma amizade com sua amiga, axei exagero na parte qdo vc disse q eles viraram amigos de infancia afinal amigos de infancia o nome jah diz neh... enfim, axo q vc deve esfriar a sua cabeça e deixar a maturidade reinar sobre... vc parece ser uma boa pessoa q dá valor aos amigos, não jogue fora uma amizade de 10 ano cm vc mesma disse por causa de um ciuminho bobo de um carinha q nem vale a pena... bjão pra vc fik na paz!