domingo, 21 de outubro de 2007

Silêncio

Ontem eu e Jefferson caminhavamos rumo à locadora pra entregar uns DVD's, já era tarde, faltava pouco pra meia-noite...seria uma noite comum...se não fosse aquele cachorro de porte pequeno e felpudo.
O cachorro esteve do nosso lado, mas nossos passos apressados foram nos distanciando dele. Atravessamos a estrada, andamos uns 20 metros e ouvimos uma barulho terrível. Olhamos assustados para trás e vimos o cachorro rolando pela estrada, como um reles saco de lixo. Meu coração se comprimiu e, nessa compressão terrível, lágrimas vieram...
Duas questões martelaram a minha mente nessa madrugada:
1ª - Há um céu e um inferno para os animais?
2ª - Por que Deus nunca me priva dessas cenas terríveis?

Eu e Jefferson, depois do ocorrido, fomos e voltamos num silêncio tenebroso. Creio que havia um nó em nossa garganta, uma dor nauseabunda que nos impedia de falar, um silêncio que de alguma forma velava o animal e respeitava sua morte e, de certo modo, minha tristeza.
Quando me deparo com uma coisa dessas não consigo deixar de pensar na Ágatha e na Bridget...elas fugiram e sabe-se lá onde se meteram...ou sequer...se estão vivas...

Não há como não chorar vendo um animal morrer. Eles possuem a sinceridade que o ser humano jamais será capaz de ter e se são irracionais é porque a razão não mora no mesmo lugar que a emoção, ao menos sem conflitos. A razão que eles não têm é substituída por sentimentalismo e a falta de sentimentos que nos torna deploráveis é devido a grande demanda de razão no nosso interior, temos um cérebro no crânio e outro no peito.

''Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música".
Aldous Huxley

Um comentário:

Nirce disse...

Menina.... Que horrível !!!! Ô dó do bichinho. Tbm não posso com uma coisa dessa. Que triste....
Mari, acho impossível q esses seres, q tanto sentimentos trazem consigo e sabem tão bem demonstrá-los, não tenham um lugarzinho reservado em algum "céu" por aí.
E ainda dizem q são irracionais....

Beijos solidários.